Janeiro/2020

O ano se inicia com muitas projeções otimistas para 2020, e os seus investimentos como estão?

Com a queda dos juros, os investimentos tradicionais começam a perder unanimidade e já não trazem mais os retornos do passado. Neste artigo você vai conhecer de forma resumida um pouco sobre as modalidades de investimentos.

Com a queda dos juros a concessão de crédito passou a ser mais utilizado pelos consumidores, incentivando o crescimento do mercado. Por outro lado acendeu o alerta sobre as aplicações financeiras.

A caderneta de poupança mais tradicional entre os brasileiros rendeu em 2019 menos que a inflação (4,26% poupança e 4,31% Inflação). O cenário não deve mudar em 2020 conforme projeções de especialistas do mercado.

A Selic (taxa básica de juros) iniciou 2020 em uma nova mínima histórica de 4,5%, isso significa que todos os investidores precisam buscar maior diversificação e alocar o recurso de acordo com o prazo e finalidade do investimento e começar a pensar em assumir pequenos riscos, independente do perfil do investidor.

Para quem vive endividado, o Brasil parece ser o pior dos mundos, para quem já aprendeu a poupar e investir, o Brasil oferece boas oportunidades.

Neste artigo você vai conhecer de forma macro e resumida um pouco sobre as modalidades de investimentos. Todas as sugestões, percentuais, prazos e modalidades informadas são meramente introduzidas no contexto do artigo, o ideal é que você tenha um Consultor de Investimentos de sua confiança ou faça um planejamento financeiro especifico conforme o seu perfil, metas e objetivos.

Lembrando que, ganhos do passado não garantem ganhos no futuro e que retornos maiores estão atrelados a riscos maiores. O ideal é a diversificação de seus investimentos.

CDB
Com cobertura do FGC, os Certificados de Depósitos Bancários normalmente são as primeiras opções dos investidores que buscam sair da poupança e do Tesouro Direto. Em 2020, no entanto, é preciso prestar atenção a esses papéis, o mercado está prevendo que a Selic vai continuar em torno de 4,5%, com inflação também perto de 4% ao ano, assim, em um ano, um CDB que pague 100% do CDI vai praticamente empatar com a inflação, ou seja, vale buscar opções de bancos pequenos e médios, que normalmente oferecem rentabilidade acima do CDI.

Renda fixa:

A renda fixa naturalmente perde atratividade com a queda da taxa básica de juros, mas ainda é importante pela segurança do investimento, ela é menos volátil do que a renda variável.

Para conseguir mais rentabilidade na renda fixa, é preciso mais diversificação e sofisticação. Além de ter parte do capital investido em títulos públicos, vale olhar com mais calma para as opções de papéis oferecidas pelo mercado privado. A boa notícia é que esse mercado está aquecido por causa da queda da Selic, com empresas buscando financiar seus projetos emitindo títulos.

Entre as opções, estão debêntures, LCIs, LCAs, CRIs e CRAs, mas é preciso ficar atento à qualidade do crédito da empresa que está emitindo esses papéis.

Títulos Pré e Pós-fixados:

Na hora de escolher os papéis, é mais usual optar por rentabilidade pós-fixada (atrelados ao CDI) ou pelos híbridos, que geralmente fazem a correção pelo IPCA e pagam mais uma taxa prefixada. Os prefixados “puros” geralmente são indicados se há expectativa de queda na Selic.

Em geral, quem decide investir em títulos de mais longo prazo consegue rentabilidades melhores, no entanto, se comprar um papel com vencimento em cinco anos e precisar do dinheiro antes, possivelmente o investidor só conseguirá revender o título com algum deságio, por isso, é importante fazer um planejamento financeiro antes de entrar em um investimento que não tenha liquidez antes do vencimento.

LCI e LCA

As Letras de Crédito Imobiliário e as Letras de Crédito Agropecuário são emitidas pelos bancos e têm dois grandes atrativos: seus rendimentos são isentos de imposto de renda e elas têm cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que minimiza o risco do investimento. Se a instituição financeira que emitiu o papel não honrar suas dívidas, os valores serão pagos pelo FGC. A proteção é de R$ 250 mil por CPF por instituição financeira (esse valor inclui o que foi investido inicialmente mais os juros). Como os rendimentos das LCIs e LCAs são isentos de IR, esses títulos costumam oferecer rentabilidade menor do que 100% do CDI, o que não é necessariamente ruim.

Debêntures
Quem emite as debêntures são empresas que querem se financiar, o risco, nesse caso, é  de a empresa não pagar a dívida que tem com os investidores. Esse papel não tem cobertura do FGC, portanto, é muito importante avaliar a companhia que está emitindo esse título. Agências de classificação de risco costumam dar notas para as emissões, essa pode ser uma boa fonte de informações para os investidores.

CRI e CRA

Os Certificados de Recebíveis Imobiliários e Agrícolas são títulos de renda fixa lastreados em créditos imobiliários ou agrícolas e costumam ter prazos a partir de cinco anos. No entanto, antes de aplicar, o investidor deve ter alguns cuidados, além da perda da liquidez, é preciso ponderar o risco do emissor desse papel, vale lembrar que os CRIs e CRAs não têm proteção do FGC.

Fundos de Crédito Privado

Não quer ter o trabalho de pesquisar as empresas e analisar o risco de crédito de cada papel em que você vai investir? Esses fundos avaliam as opções do mercado e fazem a diversificação, para escolher em qual apostar, é preciso avaliar alguns pontos: o valor mínimo de entrada, quem é o gestor dele e se ele tem experiência em operações de crédito privado.

Fundos de Investimento

Investir por meio de fundos pode ser uma boa opção para quem quer diversificar a carteira, entretanto, é preciso ficar atento na hora de escolher em qual fundo investir, primeiro você deve avaliar o valor mínimo de entrada e o prazo de resgate do fundo. Há desde fundos com resgate em dois dias úteis até aqueles que só permitem retirar seu dinheiro em 180 dias, outro fator a levar em conta é o desempenho histórico do fundo e as taxas cobradas, há ainda diferentes classes de fundos, dentro de cada uma delas, há fundos mais ou menos arriscados. Os bancos e corretoras costumam fazer uma classificação que aponta se o fundo é conservador, moderado ou arrojado.

Fundos de Ações

Os Fundos de Ações se dividem em três principais tipos, que usam diferentes estratégias básicas.

Long Only – São fundos que basicamente apostam na alta e na valorização dos papeis que estão em sua carteira. Para apresentar rentabilidade, dependem diretamente das tendências do mercado, o que os tornam suscetíveis também as oscilações negativas.

Long And Short – Estes fundos operam com pares de ativos, acreditando na valorização de um e na desvalorização do outro. Neste caso, os ativos que são comprados para valorização se concentram na estratégia Long, já os que serão vendidos, na Short. Operando em duas pontas, esses fundos não dependem das tendências do mercado.

Long Biased – Funcionam como uma mistura dos dois tipos anteriores. Tais fundos buscam aproveitar tendências de alta no mercado de ações, logo se concentram na ponta Long da estratégia. Ainda assim, conseguem se proteger de eventuais quedas no mercado porque também podem ter ativos na posição Short, permitindo maior flexibilidade ao gestor.

Multimercados

Indicado para quem gosta de distribuir seu capital nas diferentes alternativas oferecidas pelo mercado financeiro, os fundos multimercados podem agradar a quem gosta de ter uma carteira variada e não tem problemas em colocar um pouco mais de risco na hora de investir. Renda fixa, câmbio, ações de empresas, derivativos e outros ativos podem compor um tipo de investimento chamado fundo multimercado.

ETF
Os Exchange Traded Funds, são fundos que replicam algum índice, como o Ibovespa, e têm suas cotas negociadas em bolsa. Esse seria o jeito mais simples de investir na bolsa, sem ter de fazer uma escolha individual das ações, você terá uma exposição à bolsa, mas sem o trabalho de analisar os papéis.

Ações
Ações representam uma fração do capital social de uma empresa. Ao comprar uma ação o investidor se torna sócio da empresa, ou seja, de um negócio. Passa a correr os riscos deste negócio bem como participa dos lucros e prejuízos como qualquer empresário. Quem compra uma ação na Bolsa de Valores está levando uma pequena parte de uma empresa de terceiros e passa a ser chamado de acionista minoritário

Existem 2 grupos de ações, as Ações Ordinárias (ON) e Ações Preferenciais (PN).

A principal característica de uma ação ON é que ela dá direito a voto e participação nas decisões das empresas. Quando um investidor acredita que pode contribuir e ajudar a empresa a tomar melhores decisões ele deverá adquirir este tipo de ação. Essas ações possuem as letras da empresa seguidas do número 3 no código de negociação, como exemplos ABEV3, CIEL3, PETR3.

Um detalhe importante, na prática, os pequenos investidores têm pouca influência nas decisões, pois os grandes acionistas – que possuem uma maior quantidade de ações – é que de fato participam dessas decisões.

Uma ação PN não possui direito a voto, porém tem preferência em caso de distribuição de lucros e compensações. Ou seja, caso a empresa distribua dividendos, estes acionistas receberam os lucros primeiro. Caso a empresa venha a decretar falência, eles também serão os primeiro a serem compensados. Esses papéis normalmente recebem o número 4 após as letras que representam o nome da empresa no código de negociação, como exemplo PETR4, ITUB4, BBDC4.

Algumas empresas também possuem subdivisões em suas ações preferenciais, como, Ações preferenciais Classe A representadas pelo número 5 (VALE5; SUZB5; USIM5) e Ações preferenciais Classe B representadas pelo número 6 (ELET6; BRSR6).

Ouro ou Dólar

Comprar Dólares e Ouro nunca é mau negócio, ambos servem como proteção e contribuem para diversificar os ativos de sua carteira de investimentos, reduzindo os riscos. Embora não sejam investimentos de difícil entendimento, eles não são recomendados para todos os perfis, normalmente os investimentos giram em torno de 5% do capital.

O dólar e bolsa costumam caminhar em direções opostas quando a bolsa cai, o dólar sobe, e vice-versa. Você pode investir parte do capital em um fundo cambial ou até mesmo comprar um minicontrato futuro de dólar na bolsa.

Logo após a criação do Plano Real, investir em ouro foi uma opção bastante utilizada por investidores experientes, que alcançaram bons resultados sabendo aplicar no momento certo. O cenário econômico do país, as taxas de inflação, a cotação do dólar e a taxa de juros de investimentos são os fatores que têm maior impacto na oscilação do ouro.

Reserva Emergencial

A reserva de emergência é aquele dinheiro que todos deveriam ter guardado para despesas que não estavam previstas no orçamento (perca do emprego, conserto do carro, tratamento de saúde, entre outros), desta forma você não precisará realizar resgates imediatos em suas aplicações. Na linguagem popular a reserva é chamada de “colchão”, se você conseguir guardar em torno de 5% no mês do seu capital em algumas aplicações de resgate imediato e baixo risco como Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária e Fundos DI e saber que aquele valor será especifico para esta finalidade já será um bom começo.

Conclusão:

O mais importante é todos saberem que não existe um caminho certo ou errado, o mercado financeiro está aberto para lucros e perdas, cada um tem um perfil e suas preferencias. Se você não quiser se arriscar de forma amadora, busque sempre orientações de um especialista de investimentos de sua confiança. Se possível contrate um consultor/planejador financeiro para você não ser pego de surpresa no final do ano pagando tantos juros com cartões de crédito, empréstimos, financiamentos e gastos não administrados, acumulando dívidas que as vezes viram uma “bola de neve”.

Até a próxima.